domingo, 13 de setembro de 2015

Ela, encostada na janela


Tribunal medieval.


É tão difícil viver entre mundos, 
entre espaços profundos, entre pessoas queridas.
Tão difícil ainda tolerar minhas incertezas, 
o não estar presente no ato.

Como são muitos mundos adjacentes, 
temos que permanecer em algum mundo por um tempo.
Ouvir e ler mensagens vindas pelo ar, 
por cabos óticos e por fim em minha tela clara, 
se apresentarem.

Não posso proferir juízo, 
tenho que ser imparcial, 
não quero advogar errado, 
nem magoar quem quer que seja.

Me chamarão de covarde? Pode ser...
Me retiro das causas que fazem respeito, 
deste tribunal medieval.

Só espero não estar cometendo injustiças, 
não acolhendo verdades já proferidas.
Agora analiso o que pode passar um juiz, 
diante dos processos, diante da verdades alheias.

Gerson Araujo Almeida

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sem você para me aquecer.


Logo, vou estar entre cobertas,
querendo me aquecer do frio.
Este frio que machuca e incomoda.
Sem você para me aquecer, 
sem seu encostar de braços e pernas,
sem sua mão em meio peito.
sem seu calor...

Sem seu convite para o amor,
a deflagração do ato carinhoso,
do coito formoso e saciante.
De emoção tão relaxante...

Contigo, meu frio seria banido,
meus suores, meus calafrios, tudo junto...,
seriam acrescentados nestas horas eternas.

Que o tempo não levaria, 
nós dois o aprisionaria em nossa cama,
em nosso quarto coberto da penumbra 
desta noite que não mais acabaria.

Não custa sonhar, 
não custa desejar e se fazer entender.
Saber que vai poder ler e desejar, 
assim como eu, aqui comigo se deitar.

Gerson Araujo Almeida

Naquela praça, naquele banco.


Me disseram que você sempre passa nessa praça.
Que sempre vem se sentar num desses bancos, 
a sombra das árvores.
Quem sabe..., 
tenha a sorte e possa me aproximar 
e sentar ao teu lado.
Me apresentar e dizer 
o quanto esperava te ver, assim tão de perto,
sentir teu perfume, teu aroma de flores...

Declarar meu amor e tentar te convencer,
que posso ser uma boa companhia, uma pessoa que te adora.
Que sabe de tuas necessidade, 
de tuas angústias e fugas.

Quero ser teu compromisso, 
tua paixão, o criador de tuas vontades realizadas.
Não mais fugir para mundos fantasiosos,
dimensões estranhas, precisará.
Quero te amar, como um garoto afoito, 
te deixar minhas marcas de carinho, 
te dizer que te amo.

Vou esperar todo por todo o dia, 
se necessário uma tarde inteira,
mesmo que venha a noite, 
ainda assim ficarei aqui plantado.
Não moverei um passo, 
sem antes me encontrar contigo, 
mesmo que seja breve,
este momento tão esperado e desejado por mim.

Vou mandar um recado, espero que chegue a ti.
Nele, no rascunhos feito as pressas, te direi:
"- Venha meu amor, 
estou a tua espera, naquela praça, 
naquele banco do jardim."

Gerson Araujo Almeida