segunda-feira, 23 de maio de 2016

Teu perfume é igual...


Quando estou perto, 
exala de ti um doce perfume.
Uma fragrância que inebria e me adormece,
que lugar mais delicioso que teu colo me fornece,
quando descanso de nossas noites de paixão.

Delicadamente me ponho a sonhar,
quero as sutilezas de tuas mãos, 
quando me percorres em busca de sensações.
Sempre despertas em mim, loucuras de adolescente.
Eu que já vivi todas, intensamente.

É bom estar contigo, 
é maravilhoso tocar tua pele,
sentir as curvas dessa estrada 
que me leva ao delírio.
Um verdadeiro paraíso...

Tens o perfume das rosas,
em cada ponto que toco, que beijo e acaricio.

Deixo sobre a mesa da sala, uma singela rosa,
com teu doce cheiro, ambas me fazem lembrar
de nossas noites de paixão.

Gerson Araujo Almeida

Palavras


ANINHA LEITTE 

Sempre tive fascínio pelas palavras, por todas elas: as duras, as açucaradas, as mornas, as triste, as engraçadas, as que parecem dançar... 

Sim! Existem palavras que dançam: balangandãs, xiquexiques, tilintar, iaiás... São exemplos de palavras bailarinas. E têm aquelas que desmancham na boca, feito algodão-doce ao serem ditas: lilás, anis, alcaçuz, flamboaiã- penso que flamboaiã deveria ser nome de doce! 

Ou ainda as robustas que se faz necessário encher a boca para dizê-las: pachorra, arcabouço, alpendre, recôncavo... 

E aquelas que poderiam ser outra coisa: detergente, podia ser policial! Sentinela sinônimo de empatia? Loucura seria a cura. E tantas outras poderiam ser ao pé da letra, se letra tivesse pé: deleite, computador, debalde... 

Elas sempre me estiveram ao alcance das mãos, na ponta da língua, no livro de cabeceira, no desabafo em manuscrito, no verso, matéria prima, rima...

Cresci rodeada de palavras, sou o resultado de todas elas, da mais edulcorada à mais acre. Das que dançam, das perenes, das que eu interpreto ao pé da letra, das que eu não coloco tino nem dou sentido, das malditas, das não ditas... 

Sou palavras!


domingo, 22 de maio de 2016

Voltar é o que mais desejo.


Estás mais que certa, 
aquele vulto que observas 
e projeta sombra na vidraça de tua janela,
sou eu.
Apenas a tênue luz do poste da esquina 
me denuncia, 
quando me aproximo mais, 
para tentar vislumbrar tua desejada imagem.

Já percebi que me observas calada 
e quase imóvel.
Quando vai me convidar para entrar?
São tantas as noites que venho sem avisar, 
mas parece que advinhas minha presença.
Deve ser algum sexto sentido aguçado que temos.
Vai..., abre a porta e me deixa entrar, 
quero sentir o teu aroma, 
o teu corpo presente junto ao meu.

Já virou minha rotina, 
todas as noites me peregrino até aqui,
na esperança de realizar meus desejos contigo.
Creio que pensas o mesmo, 
me tomar de assalto 
e nos amarmos sem pecado.

Só me vou, nas primeiras luzes do dia,
no amanhecer sonolento quando a luz assume 
e expulsa as sombras,
como sombra me afasto.
Nada digo, nada deixo anotado, 
me vou simplesmente.
Te deixo com a sensação que não vou voltar.
Embora seja o que mais desejo.

Gerson Araujo Almeida
(Inspirado no poema de Débora Benvenuti A Vidraça)
http://ilusoesdeoutono.blogspot.com.br/2016/05/a-vidraca.html

sábado, 21 de maio de 2016

Quero me redimir.


Farei minha caminhada até você,
é longe de onde me encontro agora, 
mas vai a pena valer.
Tudo será novidade, 
tudo será delicioso e amoroso.
Vamos aproveitar bastante, te asseguro.
Pois não somos mais jovens,
embora tenha me portado mal daquela vez.

Não entendi o recado, 
não percebi as possibilidades.
Perdi uma enorme oportunidade 
de ter sido feliz...

Quero me redimir 
antes que seja tarde,
vivo em busca de sentir um forte abraço,
um beijo caloroso e manso.
Será você meu destino, 
aquela que me colocará em um novo caminho.

Ventos perfumados me conduzirão,
imagino tantas coisas, tantas novidades.
Mas acredito em você, 
quero me aninhar ao seu lado,
te dizer o quanto foi prazeroso 
te amar com vigor.
Quero me dispor e apenas te agradar.

Gerson Araujo Almeida

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Sou o andarilho que te procura.


Não me fingi de morto,
engana-se em pensar assim.
Era noite alta, não quis bater a tua porta,
te incomodar.
Preferi no desconforto da noite fria, 
ficar la fora a tua espera,
que o dia amanhecesse para poder te procurar.

Fiquei a ler teus versos a luz de lamparina 
a beira do caminho.
Queria cativar teu coração quando o tocasse.

Ainda sonho com o amor, 
sonho contigo minha paixão.
Descongela logo meu coração, 
quero que bata por ti.
Minha alma ainda ferida sofre e pede perdão.

Sou o andarilho que cansou da procura,
quero ficar em tua morada, 
nessa estrada solitária.
Ainda quero sonhar...

Gerson Araujo Almeida
(Inspirado no poema O Andarilho, de Debora Benvenuti).

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Ontem, passei por aqui


Ontem, passei por aqui,
a procura de quem podia estar
ocupando esse espaço.
Mais uma vez nos desencontramos, 
não firmamos compromisso algum.
Nem uma palavra doce pude proferir,
caso te encontrasse aqui.

Voltarei todas as tardes,
na esperança desse encontro,
firmar com palavras o fim de minhas buscas.
Quem sabe será a minha cura, 
para os males de minha alma apaixonada.
Do coração cicatrizado de algo já passado.

Virei com as mãos cheias de flores,
uns agrados mais, que porventura encontre nas areias.
Uma estrela, umas conchas para adornar teus cabelos.
Alisar teu delicado rosto,
beijar tua boca macia com um longo beijo.

Vamos admirar o entardecer, 
ver a Lua o firmamento descer.
Brindar a noite com nossos corpos entrelaçados,
nossas almas comprometer e desejar,
nunca mais nos separar.

Gerson Araujo Almeida