terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Quero pertencer a você


Amar deve ser o mais feliz dos sentidos,
deve arrebatar nossos seres, explicitamente.
Tem que nos provocar sensações deliciosas,
nos manter entorpecidos por horas...

Deve ser qual uma droga, que afeta o cérebro,
aumenta a libido, trás tesão e vontade, cada um na certa medida.
Injeta hormônios na carne, esta frágil carne que enrijece.
Pode ser sentida ao leve toque, o calor e tremor que arrepia.

Prepare todos os meios, quero mostrar a ti, meus devaneios,
saber que sentirás comigo a vontade de se perder e se achar, ao mesmo tempo.
Nada mais vai restar ao fim do ato, do coito glorioso, 
do relaxamento pós quarto.
A nós prometido, realizado e nada comedido, 
gemido e sussurrado em nossos ouvidos.

Nossos suores, nossos odores, nossa pele roçada e irritada,
aplacou nossa fome e vontade, de experimentar o desconhecido.
Nada mais será igual, daqui em diante, asseguro...
Ficamos assim, mais maduros ainda, 
pois sabemos como é o amor entre dois pecadores.

Não precisamos de salvação, já estamos condenados um ao outro,
me leva com tuas algemas, teus chicotes, teus diademas...
Seja dona deste corpo que implora, pertencer a você.

Gerson Araujo Almeida

sábado, 13 de dezembro de 2014

Sentidos que estavam adormecidos.


Encosta tua mão, 
alisa meu peito, 
toca em minha boca, 
sente os desejos que não confesso. 
Quero que sinta o calor da pele, 
o suor e o tremor, 
que se espalha em meu corpo.
É a causa de tudo..., 
você alucina e encanta quando se deita em mim, por cima.

Domina e acalma o amor que sinto,
me recupera, me leva ao delírio agora.
Nada nos afastará desta cina, deste destino.
Mostra-me o caminho a trilhar, até te conquistar.

Trouxe-me os anos perdidos, 
os sentidos adormecidos.
Provou que ainda tenho o fogo dos heróis, 
a força dos infantes.
O poder e o levante que havia dormido em mim.

Macula tua obediente parceria, 
quero ser o amante que te falta, tua alegria.
Me diz como faço para te sentir e ouvir teus sussurros...

Gerson Araujo Almeida

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Fernando Pessoa - Palavras de Pórtico


Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito desta frase, 
transformada a forma para a casar com o que eu sou:
"Viver não é necessário; o que é necessário é criar".

Não conto gozar a minha vida; 
nem em gozá-la penso. 
Só quero torná-la grande, 
ainda que para isso tenha 
de ser o meu corpo 
e a minha alma a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade; 
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso. 
Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue 
o propósito impessoal de engrandecer a pátria 
e contribuir para a devolução da humanidade.
É a forma que em mim 
tomou o misticismo da nossa raça.

Fernando Pessoa.

* Nota publicada pela primeira vez na primeira edição do volume Fernando Pessoa - Obra Poética, volume único. Cia. Aguilar Editora, 1965 (organização, introdução e notas de Maria Aliete Galhoz).

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Que a Lua provoque teu ciúme


Entardece mais tarde agora, 
quase verão por estes dias e horas.
Até os pássaros recolhem-se mais tarde, 
quando percebem o poente avermelhado.
Do amarelo forte ao vermelho paixão.
Deve estar como eu agora, 
apaixonado, sem poder ver sua amada a Lua, 
assim como o poeta a espera de uma imagem tua, a musa.

Quero pendurar na parede oposta, 
a foto, com delicada e fina moldura.
Uma fraca luz, apenas para realçar e destoar do restante da sala.
Onde passo meus dias a te esperar..., na fria penumbra.

Lá fora os ruídos da noite me assombram, 
será que terei tempo.
Que o tempo vai me aguardar, 
antes que você possa um dia chegar.
Irromper pela porta da frente, 
fazer barulho com seus saltos no assoalho,
me beijar com paixão, 
me conduzir pela mão, 
desnudar-me ao primeiro encontro.
Confesso que vou adorar, 
arrancar tuas vestes, 
sobre ti me deitar faminto, 
louco e apaixonadamente carregado de instintos.

Mas, apenas ouço neste momento, 
os ruídos da noite.
A coruja em cima da cerca, 
ao lado do portão no fim da ladeira.
Os grilos reclamando suas fêmeas, 
para o acasalamento.
Minha janela aberta vou deixar, 
deixar o luar penetrar
e cobrir meu rosto. 
Sinto o beijo dela, tua rival a Lua. 

Gerson Araujo Almeida

domingo, 7 de dezembro de 2014

Sinto você mesmo à distância.


 Quando te conheci, 
foi apenas um: "- Oi! Tudo bem!".
Não imaginei que um dia, 
 te sentir iria além desse: "- Oi! Até logo!",

Reconheço-te em meus pensamentos, 
até de olhos fechados, porque você não sai de dentro de mim. 
É como se fossem,  
há dar na vida, meus primeiros passos.

Encontrei em você meu porto seguro,
mesmo distante, sou um veleiro ancorado.
Sem mar para navegar. 

Mas, mesmo assim, 
meu velho barco das emoções,
navega em minhas veias.
Para buscar seu mar tão distante dos meus olhos.
Mas, tão vivenciado dentro do coração.

E nessa viagem, 
vou embarcando sentimentos e emoções, 
que aqui dentro, vivem.
 Tanta ondas de emoções, 
que gostaria contigo, ter vivido.
Que, dos teus planos, passam tão distantes.

Mas, o meu amor é um imenso oceano, 
que mesmo quando a maré passa,
levando para bem longe, 
acaba voltando para o ponto de partida.
Porque enquanto houver esperança,
o amor não morrerá. 
  
Josiane Ramos
www.facebook.com/josiane.mramos


Amor na penumbra.


Já fechei as cortinas, 
abaixei a luz, pode se sentir a vontade. 
Nada vai nos incomodar agora, 
está na medida certa, como gosta. 

Tua timidez me leva a ter cuidado, 
na penumbra poderei ver tuas sombras. 
Nada mais exitante que esta vontade tua, 
 de amar na penumbra. 

Cuidarei para que nada fique em desagrado, 
quero por fim te deixar bem amada. 
Sei que não devo te exigir nada, 
 nem na minha vida entrar, 
 apenas me alimentar de tua paixão. 

Quero dedicar nossos momentos, 
a este amor bandido, 
que nas sombras será, 
a nós dois, permitido. 

Venha, a espera é longa, 
sei de teus compromissos..., 
basta-me esperar. 

 Gerson Araujo Almeida

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Mais parecia um sonho...


A pele macia tocou meu rosto, 
quase não entendi a sensação, 
 pensei que era um sonho. 
Que vivia uma experiência passada, 
 retratada na mente. 

Ao abrir de olhos, 
deparei-me surpreso, 
ante visão majestosa. 
Os adorados seios, 
que tanto me deixaram louco, 
a boca saliente que sempre procura meu prazer instigar. 
As ancas generosas, cintura definida e justa, 
onde posso as mãos, repousar... 

Meus ouvidos ouvem teus sussurrantes pedidos, 
são clamores, são exigências... 
Nada mais puro e delicado, 
atender-te prontamente, 
te fazer cativa. 

Venha minha doçura, 
meu leito te espera, 
quero a leveza de teu corpo sobre o meu. 
Teus caprichos atender 
e viver este momento eterno. 

Nada mais caprichoso que o tempo que para, 
por momentos até ele se rende, 
e nos olha sem vergonha. 
São momentos de profunda emoção, 
de amor e desejo que quero novamente viver ao teu lado. 

Não se preocupe, 
o tempo irá parar e nos ajudar até que o sol se levante, 
reclamando seu lugar novamente no horizonte. 
Aí, já devemos estar saciados. 
Nossas necessidades aplacadas, 
nosso gozo, derramado, 
nossos lençóis molhados e amarrotados... 

 Gerson Araujo Almeida